Síndrome do Impostor: quando a dúvida fala mais alto que a realidade
Como a dúvida silenciosa se constrói dentro de nós e gera a síndrome do impostor
“Ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento.” – Eleanor Roosevelt
Há momentos em que a vida parece avançar em direção ao que sempre desejamos. Uma promoção chega. Um projeto recebe elogios. Uma oportunidade importante se abre. Por fora tudo indica conquista. Por dentro surge um pensamento que não combina com a realidade. Será que mereço mesmo estar aqui? Isso é um reflexo da síndrome do impostor.
A Síndrome do Impostor nasce nesse ponto. Não nasce da falta de capacidade. Nasce da distância entre o que você realmente entrega e a história que a sua mente conta sobre quem você é. Uma história que vai sendo construída aos poucos, quase sempre de forma silenciosa.
Onde essa sensação começa
A maioria das pessoas acredita que a síndrome surge de um único evento marcante. Mas ela costuma crescer de forma mais sutil. A mente começa a duvidar de elogios. Depois passa a explicar seus resultados como obra do acaso. Até que um dia você se percebe vivendo com a sensação de que está sempre devendo algo.
A psicologia já discutia esse fenômeno muito antes do termo existir. Freud falava sobre uma crítica interna que pode se tornar mais rígida do que qualquer opinião externa. Winnicott reforçava que, quando o ambiente exige perfeição o tempo inteiro, a nossa espontaneidade se esconde. Dentro desse cenário a pessoa passa a acreditar que só é valorizada quando entrega além do esperado. E quando vive assim por muito tempo, começa a achar que só existe valor quando existe esforço extremo.
Não é teoria distante. É aquilo que você sente quando realiza algo importante e mesmo assim pensa que não foi suficiente.
Como isso aparece na rotina
Para algumas pessoas a síndrome surge em momentos de visibilidade. Para outras ela aparece no cotidiano, de forma discreta.
Você revisa um documento já pronto porque não confia no que fez.
Você recebe um elogio e responde mentalmente que a pessoa não viu o suficiente.
Você cumpre metas e, ainda assim, sente que está prestes a falhar.
A mente cria uma narrativa interna que não acompanha a realidade. A comparação com os outros se torna constante. E a sensação é sempre a mesma. Parece que todo mundo sabe exatamente o que está fazendo enquanto você apenas tenta acompanhar.
Essa sensação não tem relação com competência. Tem relação com percepção. E percepções podem ser muito distorcidas quando a crítica interna fala mais alto do que os fatos.
O impacto emocional desse ciclo
A síndrome do impostor não é apenas uma dúvida sobre si. Ela afeta a forma como você vive.
Afeta o descanso, porque a mente não desliga.
Afeta as relações, porque você passa a acreditar que não pode demonstrar insegurança.
Afeta a criatividade, porque inovar exige coragem para errar.
Afeta a autoestima, porque a régua que você usa para se medir é sempre mais alta do que a usada para qualquer outra pessoa.
O peso não está no trabalho. Está no esforço de sustentar uma imagem que você acredita que os outros esperam de você. E esse esforço desgasta.
Um olhar psicológico para essa experiência
Os autores que estudaram o funcionamento emocional humano concordam em algo importante. Não sofremos por sermos insuficientes. Sofremos quando a nossa história interna não conversa com a nossa experiência real.
Por isso a síndrome do impostor perde força quando conseguimos aproximar essas duas coisas. Quando você começa a olhar para suas conquistas com mais honestidade. Quando começa a perceber que o medo de ser descoberto não revela fraude alguma. Revela apenas um desejo profundo de corresponder.
E o mais libertador é perceber que esse desejo pode existir sem que você precise se provar o tempo todo.
Quando buscar apoio emocional
Se os sinais têm se repetido e se a dúvida sobre o próprio valor está consumindo sua energia, conversar com uma psicóloga pode ajudar. Não é para provar competência. É para entender a origem dessa sensação e reconstruir uma forma mais justa de se enxergar.
A autenticidade não surge de perfeição. Surge de segurança interna. E isso pode ser cultivado.
Você não está enganando ninguém. Você está carregando uma história sobre si que pode ser compreendida e transformada. Quando a crítica interna perde espaço, o que sobra é a pessoa real que sempre esteve ali, capaz, preparada e muito mais forte do que imagina.
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